Ocupação das ruas cariocas | Etnohaus

Ocupação Etnohaus

15/05/2013

Por Mateus Habib

 

Leminski já dizia: “a rua é a parte principal da cidade”. E não há quem duvide – ainda mais quando se trata de Rio de Janeiro, uma cidade cujas relações são completamente ligadas à integração das pessoas com a natureza, os espaços públicos e com outras pessoas. Assim também pensa o pessoal da Etnohaus, um coletivo composto por jovens sedentos por mudança, com a vontade de fazer barulho e ocupar o espaço que é seu, meu e nosso: as ruas do Rio de Janeiro. Com música, arte e cultura, eles ocupam – e adoram o uso desse verbo – a Pedra do Leme, as ruas de Botafogo, a Pedra do Sal, na Zona Portuária, e onde mais for preciso. O #RioEuTeAmo conversou com Dudu Lacerda, um dos integrantes do coletivo, que contou toda a fascinante história e ideologia por trás dessa turma de cariocas comprometidos com a transformação da cidade maravilhosa.

 

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Tudo começou com a música: em encontros que aconteciam semanalmente, um grupo de amigos atravessava madrugadas com suas guitarras nas alturas, garantindo a alegria da galera – e tirando a paz dos vizinhos. Logo surgiu a necessidade de expansão para um espaço que pudesse receber essas reuniões musicais sem incomodar mais ninguém. “Fomos atrás de um espaço que pudéssemos alugar em conjunto, deixar os instrumentos e fazer nossa música à vontade”, contou Dudu. É lá, na casa Etnohaus, abrigada em uma charmosa vila comercial de Botafogo, que ensaiam 3 diferentes bandas, e onde essa galera faz suas reuniões para “dominar o mundo”, como conta Dudu. “Esse era um objetivo que já era cultivado naqueles encontros, juntar uma galera pra produzir e dar vazão coletiva aos nossos interesses e atividades culturais, que passam por música e muitas outras coisas mais”. Além das rotineiras reuniões musicais, ensaios de bandas independentes e jam sessions, a casa Etnohaus também recebe eventos não periódicos – e sempre abertos ao público – como o Cine Varal, uma exibição de filmes independentes seguida por um debate com seus diretores, e feiras de troca, que estimulam uma nova relação com os bens materiais, baseado na troca de objetos com outras pessoas.

 

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Ao mesmo tempo que tanta coisa boa acontece lá dentro, de que adiantaria ficar só entre quatro paredes? Dudu, como bom antropólogo e músico, é categórico: “são nas ruas da cidade que seu sangue corre, onde as coisas realmente acontecem. E esse movimento se potencializa ainda mais no Rio, essa cidade solar e convidativa, do carnaval e das praias lotadas, dos passeios vespertinos e dos estádios de futebol apinhados de um povo que gosta de sair das suas casas, das suas tocas, e conviver nas ruas, calçadas e praças”. E ficam as perguntas: não seria um desperdício não aproveitarmos tal benção? Não iria contra a própria vocação da cidade nos fecharmos em shoppings e condomínios? Sim, seria um desperdício e tanto! E é por essa razão que o coletivo Etnohaus faz de tudo pra encorajar os cariocas a aproveitarem tudo de magnífico que a cidade oferece, indo contra o medo da violência, o caos do trânsito e estimulando a circulação de ideias e pessoas, a troca entre diferentes tribos, orientações sexuais, religiosas ou políticas. “É esse caldeirão que buscamos estimular com nossos eventos”, conta Dudu.

 

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Concretizando esses fortes ideais, nasceu o Ocupação Etnohaus, principal projeto do coletivo, que leva um pouco do que acontece nessa casa para fora dela. “Convidamos bandas, artistas e outros coletivos, para a produção de eventos em espaços públicos em parceria com estabelecimentos locais.  São shows, performances, festas, sessões de cinema, debates e muito mais, sempre grátis e abertos ao público. Passamos pela Pedra do Leme, pela Lapa e agora aportamos na Pedra do Sal, lugar lindíssimo e historicamente fundamental da Zona Portuária da cidade do Rio“, comemora. Para essa turma, que apesar de jovem sabe muito bem o que faz, a sensação é extremamente gratificante: é estar na rua democratizando o acesso à cultura, estimular o uso consciente e respeitador dos bens públicos e equipamentos urbanos como praças e parques. “Tudo isso fica ainda melhor ao notar que a resposta das pessoas é super positiva, por perceber a carência deste tipo de iniciativa, e por ir de encontro à receptividade própria desta cidade e de seus habitantes”, conta Dudu.

 

“Essa é uma das caras de um Rio que queremos ver e de um Rio onde queremos viver. Com mais ações colaborativas, mais ocupações artísticas do espaço público, mais respeito no trânsito, mais cordialidade na convivência, mais responsabilidade política e mais acesso à cultura e aos direitos humanos. É isso aí que gostaríamos de ver por aqui e tentamos sempre trabalhar e nos divertir tendo essas diretrizes em mente!”, finaliza. Tem como não assinar embaixo?

 

Saiba mais sobre os eventos do Etnohaus no site http://www.etnohaus.com.br !

Fonte: http://rioeuteamo.net/

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